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Fado em Lisboa
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Fado em Lisboa
Rua da Misericórdia 14
1249-038 Lisboa

(Sala de concertos, Teatro de Artes Cénicas)

FADO IN CHIADO

O Fado é uma das expressões de oralidade mais reconhecidas no mundo.


Esta forma de cantar e interpretar em Português, exprime a reflete, a alma de um povo, que desbravou mundo, e procurou noutros continentes, as belezas de um planeta, nessa altura, pleno de verde e cheio de azul.

O Fado foi reconhecido em 2011, pela Unesco, como património imaterial da humanidade, com esta distinção e reconhecimento, este cantar da saudade, obteve maior projeção e amplitude.

O show “Fado in Chiado”, nasce de uma lacuna cultural, existente num dos mais importantes e concorridos destinos turísticos, e numa das capitais europeias mais visitadas, como é Lisboa.

Com dez anos de existência, o “Fado in Chiado”, ou no meio digital “Fado in Lisbon”, foi pioneiro em apresentar, ao vivo, diariamente, ao final da tarde, um show de Fado tradicional, acompanhado à guitarra e à viola, com duas vozes, uma feminina e outra masculina.

Podemos afirmar convictamente que o Fado, tem dimensão nacional, mas não é menos verdade referir, que Lisboa tem uma ligação especial, com esta forma de comunicar.

O fado é indissociável da guitarra Portuguesa, da viola de fado, dos poemas e das vozes. É nesta mistura, é neste encontro, é nesta dependência, que a arte acontece, e o fado vive.

Os grandes poetas Portuguesas, quase todos, já foram cantados, pelas grandes vozes nacionais. De camões a Fernando Pessoa, de Sofia de Mello Breyner a Pedro Homem de Mello, de Alexandre O´Neill a David Mourão Ferreira, de Linhares Barbosa a Manuel Alegre, de Natália Correia a Ary dos Santos, de Jaime Santos a Jorge Fernando, e de tantos, e tantos outros.

Os poetas, ao longos dos anos, têm escrito e contado histórias, que nos reportam para diferentes épocas, momentos, espaços e “vidas”, criando no nosso imaginário, saudades nostálgicas, recordações alegres e sensações intemporais.

Os instrumentistas, são músicos que partilham as emoções, através do dedilhar das guitarras e das violas, dialogando com as vozes, e criando uma cumplicidade, que no Fado se transforma numa experiencia auditiva e visual ímpar. 

São muitos, os guitarras e violas, que se tem destacado nesta arte, de Armandinho a António Chainho, de Fontes Rocha a Mário Pacheco, de Joel Pina a Luís Guerreiro, de Alcino Frazão a António Parreira, de Carlos Gonçalves a Ricardo Rocha, de Fernando Silva a Ângelo Freire, de António Portugal a João Silva e muitos mais. Os virtuosos destes instrumentos, têm nas suas carreiras, parcerias com os grandes interpretes do Fado, mas também, obras instrumentais em nome próprio, ou mesmo, a autoria musical de muitos temas com enorme sucesso.

Se é verdade, que para o exterior, o Fado é muitas vezes associado a vozes femininas, não é menos verdade, que são muitos os nomes masculinos, que construíram grandes carreiras, nacionais e internacionais, a cantar Fado, ou que nas seus percursos artísticos, incluíram este estilo musical, de Alfredo Marceneiro a Artur Ribeiro, de António Menano a António dos Santos, de António Rocha a António Mourão, de Artur Ribeiro a Vicente da Câmara, de Vasco Rafael a Artur Batalha, de Carlos do Carmo a Camané, de Carlos Ramos a Carlos Zel, de Manuel de Almeida a Fernando Farinha, de Marco Rodrigues a André Vaz, de Max a Fernando Mauricio, de Filipe Pinto a José da Câmara, de Francisco José a Hélder Moutinho, de Gonçalo Salgueiro a João Braga, de João Ferreira Rosa a Nuno de Aguiar, de Nuno da Câmara Pereira a Pedro Moutinho, de Rodrigo Costa Félix a Miguel Capucho, de Rodrigo a Ricardo Ribeiro, de Tony de Matos a Tristão da Silva, de António Zambujo a Paulo de Carvalho, e tantos mais.

Timbres diferentes, interpretações personalizadas, posturas diferenciadoras, épocas e personalidades disparas, mas todos eles, cantando e contando, o que os poetas, através das palavras, pensaram e escreveram.

Falemos então das vozes femininas associadas ao Fado, podendo sempre começar pela a lenda “Severa”, uma mulher que ficou na história, por ter sido pioneira a cantar o amor, o sofrimento, a tristeza, a alegria, se quisermos a “falar-nos” da vida, através do Fado.

E claro que ao falarmos de Fado, de dimensão mundial, de voz feminina, de inovação e de irreverência poética, chegamos à maior entre os maiores, para onde todos os holofotes apontam, Amália Rodrigues

A artista Portuguesa, com maior notoriedade internacional, com uma carreira ímpar, e com um percurso inultrapassável. Amália foi e será a maior fadista de todos os tempos. Com ela, o Fado abriu as portas das mais importantes salas do mundo. Amália Rodrigues ombreou com os maiores e mais populares cantores internacionais da época, como Charles Aznavour, Frank Sinatra, Julio Iglésias, Edith Piaff, Lola Flores, Juliette Greco, Rita Pavone, Cliff Richard, Gilbert Bécaud, Joe Dolan, Connie Francis, e tantos outros.

Amália Rodrigues, durante décadas, fez dezenas de digressões mundiais, e cantou nas principais cidades do mundo, nos cinco continentes, e divulgou o que de mais genuíno tinha e tem a cultura Portuguesa. De Madrid a Buenos Aires, de Paris ao Rio de Janeiro, de Berlim a Roma, de Tóquio a Nova York, foram muitas as capitais do planeta que receberam Amália, e que a aplaudiram de pé.

Amália cantou e gravou em diferentes idiomas para além da sua língua nativa. Fez diferentes apresentações nos principais canais de televisão da época, como a TVE, RAI, FRANCE 2, TV GLOBO, CANAL 13, BBC, TV Galiza, TV Newark USA, NBC, CBS entre muitos outros.

A voz Portuguesa, foi homenageada por diversas vezes, em Portugal e no mundo, recebendo o reconhecimento institucional de diferentes instituições e entidades, por exemplo:
16 de Julho de 1958 é feita Dama da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. A distinção é entregue por Marcelo Caetano na Feira Internacional de Bruxelas.[21]
16 de Fevereiro de 1971 é elevada a Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.[nota 2]
9 de Abril de 1981 é feita Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.[nota 3]
4 de Janeiro de 1990 é elevada a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, entregue no Coliseu dos Recreios por Mário Soares.[21]
27 de Julho de 1998 é elevada a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.[nota 
1970 é feita Dama (Chevalier) da Ordre des Arts et des Lettres, de França
1971 recebeu a Ordem Nacional dos Cedros do Líbano.[nota 5]
1985 é elevada ao grau de Comendadora (Commandeur) da Ordre des Arts et des Lettres, de França entregue por Jack Lang, Ministro da Cultura
1990 recebeu o grau de Grã-Cruz da Ordem de Isabel a Católica
1991 recebeu o grau de Dama (Chevalier) da Légion d'honneur de França, entregue pelo presidente Mitterrand

Continuando a falar das vozes femininas do Fado, existem outras grandes fadistas, que construíram e constroem, carreiras de grande mediatismo e sucesso. De Mariza a Berta Cardoso, de Ana Moura a Anita Guerreiro, de Ada de Castro a Ana Sofia Varela, de Alexandra a Aldina Duarte, de Argentina Santos a Beatriz da Conceição, de Celeste Rodrigues a Carminho, de Cidália Moreira a Cristina Branco, de Cuca Roseta a Deolinda Rodrigues, de Dulce Pontes a Ercília Costa, de Fernanda Maria a Fábia Rebordão, de Fernanda Baptista a Fernanda Peres, de Florência a Gisela João, de Helena Tavares a Rute Soares, de Hermínia Silvia a Lenita Gentil, de Mafalda Arnouth a Joana Amendoeira, de Lucília do Carmo a Katia Guerreiro, de Maria Albertina a Maria Amélia Proença, de Maria Armanda a Maria Ana Bobone, de Maria Clara a Maria da Fé, de Maria da Nazaré a Maria de Lurdes Resende, de Maria Teresa de Noronha a Maria Valejo, de Mísia a Natércia Maria, de Teresa Siqueira a Raquel Tavares, de Teresa Tapadas a Sandra Correia, de Teresa Tarouca a Yolanda Soares, de Anabela a Ana Pinhal e tantas outras vozes.

É neste enquadramento histórico, cultural, social e humano, que o Fado se tem enquadrado na cultura Portuguesa, e na música do mundo. É também com o propósito de continuar a mostrar a quem visita Lisboa, percorre o Chiado, e descobre os monumentos da cidade das sete colinas, que o “Fado in Chiado”, apresenta os sons e as vozes, que partilham as emoções, de quem canta a alma de fado no chiado, um povo, e grita as emoções de uma nação, que gosta de sentir saudade!

Enquadrar o Fado, nas melhores experiências que Portugal tem, é também afirmar, que visitar Lisboa ou Porto, e não assistir a um concerto ao vivo de Fado, é ficar culturalmente diminuído. Em Lisboa, podemos provar o pastel de Belém, visitar a Torre de Belém ou o Mosteiro dos Jerónimos, andar na carreira do elétrico 28, passear pelo Bairro Alto, Alfama, Mouraria ou  Madragoa, ver a Sé e o Castelo de São Jorge, e dar um pulinho aos miradouros da cidade banhada pelo rio Tejo, mas todos esses percursos, experiências e desafios, devem culminar com uma audição de Fado ao vivo, e claro, no “Fado in Chiado”, aberto de segunda a sábado, com uma sessão permanente às 19.00h e com duração de 50 minutos.

Este estilo lusitano de interpretar, segundo os historiadores, surge a meio do século XIX, em zonas pobres, onde muitas vezes, servia de transmissor a notícias locais, ou seja, os fadistas cantavam os fados com letras que refletiam o dia a dia, dos diferentes bairros. Posteriormente ampliou o seu círculo, até que nos finais do século XIX, inicio do século XX, já é cantado em tabernas e casas de pasto, frequentadas por diferentes classes sociais da altura, tornando-se a certo momento, a chamada “canção nacional”, porque exprimia muitas das vezes, o que de melhor e pior, sentia o povo Português nessa época. Diz-se que o fado, é também um encontro de culturas, onde a influência africana e árabe, estão presentes.

O cinema Português, nas suas diferentes bandas sonoras, coloca muitas vezes, o fado como elemento predominante, e permite a alguns artistas, consolidarem as suas carreiras. Exemplo disso, são obras cinematográficas, como; “Os amantes do Tejo”; “A Severa”; “Sol e Toiros”; “História de uma cantadeira”; “Cantiga da Rua” ou “O Costa do castelo”.

No inicio do século XX, passaram a existir novas plataformas de divulgação cultural, e o Fado foi um dos conteúdos que mais beneficiou, em concreto, o teatro de revista, onde surgem grandes nomes fadistas, e onde nascem grandes sucessos, que ficaram para a história. É também por esta altura, que surgem os primeiros fadistas profissionais, e com eles, a divulgação do Fado, pelo resto do Pais. Não deixa de ser interessante referir, que no Parque Mayer, aconteceram grandes e profundos momentos de Fado, seja em formato tradicional, seja no modo, “fado canção”, expressão usada, quando os artistas se faziam acompanhar por pequenas orquestras.

Portugal e o Fado, são reflexo de uma mesma identidade, de uma nação com 900 anos de história, onde o mar tem servido de espelho, a um povo que conquistou, e que se tem deixado conquistar, por diferentes culturas e formas de viver. Um povo que canta o seu destino, ao sabor das cordas de uma guitarra, e nas vozes, de quem através da alma, exprime, o que o passado lhe contou, e o futuro inspira!

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(Sala de concertos, Teatro de Artes Cénicas)

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